segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O Magnífico


Na década de 70 aos sábados, após a novela das oito, a Globo apresentava uma sessão de filmes chamada "Primeira Exibição", onde os "filmes do cinema eram apresentados pela primeira vez na televisão".  Tudo bem que no início era assim, porém após alguns anos os filmes eram reprisados, perdendo assim o motivo de manter o título da sessão.  Mais tarde o nome mudou para "Tela Quente".

Dentre alguns filmes que me lembro está O Magnífico (Le Magnifique, França, 1973), uma comédia francesa dirigida por Philippe de Broca e estrelada por Jean Paul Belmodo e Jacqueline Bisset.  Na história, Belmodo interpreta François Marlin, um pobre escritor de livros policiais baratos, que tem como principal personagem Bob Saint-Clar, um superagente secreto, estilo James Bond, que consegue resolver seus casos com a maior facilidade e ainda achar tempo para esbanjar seu charme com as mulheres.

Enquanto a criatura Saint-Clar percorre o mundo vivendo aventuras ao lado de belas mulheres, o criador Marlin tem uma vida solitária dentro de um velho apartamento com problemas elétricos.  À medida que Marlin vai escrevendo sua história, o filme mostra as respectivas cenas.  Assim, temos um filme dentro do outro.  Um contando a vida do escritor e o outro contanto a história contida nos seus livros.  Em ambas histórias, o personagem principal é vivido por Belmodo.  Até aqui nada inédito.

O charme do filme está na interação de Marlin com a realidade e suas influências em sua obra.  Ele muda sua história de acordo com outros acontecimentos que o cercam na vida real.  O editor que não lhe dá aumento transforma-se no vilão de suas histórias, o eletricista que não fez o conserto em seu apartamento torna-se um personagem que aparece no meio de uma cena de tiroteio e é sumariamente metralhado. 

Marlin conhece e se apaixona por uma linda uma linda moça chamada Christine (Jacqueline_Bisset), que tem grande interesse por sua obra.  Devido à excitação de da garota ao falar de seus livros, em determinado momento Marlin começa a sentir ciúmes de seu personagem, no caso Saint-Clar.  Desse momento em diante, passa a escrever cenas em que tudo começa a dar errado para o personagem.  São cenas extremamente divertidas.   

Em uma das cenas do agente secreto Saint-Clar, ele captura um agente inimigo que somente fala albanês.  Para pegar o depoimento do prisioneiro é chamado um grupo de pessoas.  Então vem a explicação:
-Nós temos um interprete Albanês, mas ele só fala Romeno. Então nós tivemos que achar um Romeno, mas ele só fala Sérvio. O Sérvio só sabe Russo, o Russo só sabe Tcheco. Felizmente, eu falo Tcheco...

Enfim, trata-se de uma grande comédia que merece ser revista. Enquanto aguardamos seu lançamento oficial no Brasil, a única forma de acesso ao filme é baixando via internet, no site Legendas.tv já é possível conseguir as legendas em português.  No início deste artigo você tem o link do YouTube com o trailer da história.

Divirtam-se.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

West And Soda



Desde a criação do cinema no final do século 19, a conquista do Oeste Americano, período de 1860 a 1890, foi retratada com muita veemência nas telas. O sucesso do gênero conhecido como faroeste, ou Western, perdurou fortemente até o final dos anos 50, porém, na década seguinte os americanos já não se empolgavam tanto com a idéia. O que fez declinar sensivelmente o número de produções.

Todavia em meados da década de 60, na Europa, cineastas italianos, principalmente, além de espanhóis e alemães, resolveram continuar investindo no gênero. Para tanto, “importaram” atores americanos, muitos deles pouco conhecidos na época, como Clint Eastwood e Lee Van Cleef. Na maioria das vezes os filmes eram rodados na Espanha devido a semelhança com o Oeste Americano. Assim estava criado o faroeste-espaguete, ou western-spaguetti, cujo sucesso mundial ressuscitou o gênero faroeste. Dentre as principais produções, destacam-se a trilogia do diretor Sérgio Leone: Por um punhado de dólares (1964), Por uns dólares a mais (1965) e Três homens em conflito [ou O bom, o mau e o feio] (1966), este considerado por muitos o melhor filme do gênero e Django (1966), de Sergio Corbucci.

Foi neste ambiente que em 1965 o animador italiano Bruno Bozzetto (nascido em 03/03/1938) lançou West And Soda, seu primeiro longa-metragem em animação. O desenho consegue satirizar e homenagear os faroestes americanos. Lá estão todos os elementos básicos: o mocinho, a mocinha, o bandido, os índios, a disputa por terras e pelo amor da mocinha. Com poucos recursos, o premiado autor Bruno Bozzetto conseguiu realizar uma obra-prima cultuada em todo mundo. No vídeo de abertura deste post você vê a cena do duelo entre o mocinho e os bandidos.

O desenho chegou a ser exibido na televisão brasileira (Sessão da Tarde), porém há muitos anos não reprisa. Ainda hoje com todas as facilidades de DVDs e TVs à cabo, o filme ainda se encontra pouco acessível no Brasil, estando somente disponível em DVD importado (em italiano) ou baixando da internet. Inclusive já postei as legendas em inglês no site Legendas.tv para que uma boa alma se habilite a traduzir e disponibilizar para mais pessoas que não conhecem o filme ou não sabem italiano ou inglês.

Quanto ao animador Bozzetto vale destacar seu grande talento e capacidade de se adaptar aos novos tempos e meios de comunicação. Desde 1999 vem ganhando vários prêmios com suas animações no formato flash voltadas para a internet. Abaixo alguns links destes trabalhos:


Saiba mais sobre:


Filmografia completa de Bozzetto

Outras produções de Bozzeto em flash

Faroeste-Espaguete


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